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A INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO DA MÃE E AS CÓLICAS EM BEBÊS

 Os primeiros três/quatro meses de vida dos bebês são marcados pelas adaptações ao mundo externo.

Os bebês, ao saírem da barriga da mãe, são lançados no desafio de sugar o leite e digerí-lo.

Seu trato gastrointestinal bem imaturo, precisa, rapidamente, absorver os nutrientes, para abastecer seu corpo em desenvolvimento acelerado.

E assim, carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais começam a entrar, não mais pelo cordão umbilical, mas sim pela boca.

Apesar de estar acostumado a ingerir o líquido amniótico, as substâncias do leite materno estão mais íntegras e isso tudo precisa ser quebrado em partículas menores, pelas enzimas digestivas presentes na boca, estômago e intestino.

Mas, a já comentada imaturidade do trato gastrointestinal, por vezes impossibilita a correta quebra dos nutrientes, acarretando desequilíbrios que podem provocar dores e desconfortos abdominais, chamados de cólicas.

É sabido, na área da nutrição, que alguns alimentos são de difícil digestibilidade e que podem, através da alimentação da mãe, chegar até o leite materno.

Esses alimentos ao entrar em contato com o trato gastrointestinal do bebê, podem não ser digeridos e lhe causar grandes transtornos, que deixam os pais bastantes preocupados, sem saberem o que fazer para acalmar e amenizar as dores do bebê.

Os alimentos potencialmente alergênicos e flatulentos são os que podem causar maiores problemas. Os mais estudados são lácteos, glúten, chocolate, cítricos, chás (com cafeína), café, refrigerantes, amendoim, soja, ovos, oleaginosas e os tão falados ultimamente, FODMAPs, que são os carboidratos monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e polióis que podem gerar fermentação excessiva no intestino. (Lista dos alimentos FODMAPs, no final do texto)

Assim, dependendo do grau de desconforto do bebê, é recomendado a retirada e reintrodução desses alimentos, para investigar quais ou qual pode estar provocando isso.

Porém, isso deve ser feito com acompanhamento de um profissional da área da nutrição, para não comprometer os nutrientes da mãe e, consequentemente, manter a qualidade nutricional do leite materno.

Algumas mães já acompanhadas por nutricionistas na gestação, preferem já entrar com essa restrição assim que o bebê nasce e ir reintroduzindo os alimentos um a um para observar os possíveis sinais e sintomas mais comuns, que podem ser desde assaduras, choro intenso, cólicas, sangue nas fezes e diarreia.

Contudo, para alívio dos sintomas é necessário paciência, dedicação e entendimento que tudo isso é passageiro.

E aí qual foi sua experiência com as cólicas?



Por Stephânia Silveira 
(estudante de Nutrição) 2020

Referência:

Cherubini, Kadhija AbrahimAssociação entre alimentação materna e cólica em lactentes : uma revisão sistemática. Porto Alegre, 2011. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/37213

Jereissate, Isabel. Alimentos que afetam o leite materno. MINHA VIDA, 2018.  Disponível em: https://www.minhavida.com.br/familia/materias/18102-alimentos-que-afetam-o-leite-materno#:~:text=No%20beb%C3%AA%20amamentado%2C%20tanto%20a,c%C3%B3licas%2C%20assaduras%20e%20choro%20intenso.

https://www.nutricionistarafael.com.br/2015/11/o-que-significa-fodmap.html

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